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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DC SEM CRISE :: LIGA DA JUSTIÇA ABRE CAMINHO PARA O UNIVERSO CINEMATOGRÁFICO DC

O roteiro de Whedon e Chris Terrio (com algumas pitadas de Snyder) vai direto ao ponto mostrando onde estão seus principais guerreiros: o longa já abre com Batman/Bruce Wayne (Ben Affleck) atrás de um ser alienígena voador que o herói pressente ser apenas um entre vários que estão na Terra para algo muito maior. Mulher-Maravilha/Diana Prince (Gal Gadot) se mostra mais uma vez ao mundo ao deter uma ação terrorista em Londres. Superman/Clark Kent (Henry Cavill) permanece morto, e sua perda continua sentida não apenas por sua mãe, Martha (Diane Lane) e a namorada, Lois Lane (Amy Adams), como também pelo mundo, que parece ainda mais sombrio após sua morte. É o momento perfeito para o Lobo da Estepe (voz de Ciarán Hinds) entrar em cena e roubar as três Caixas Maternas que estão em poder das amazonas, dos atlantes e dos humanos e, assim, completar seu plano de aniquilar a Terra e sair de um exílio imposto por Darkseid. Com a ameaça à espreita, Bruce e Diana vão atrás de recrutas para uma equipe que deve deter o vilão.
Os candidatos são aqueles que já vimos de relance em Batman vs. Superman: os jovens Barry Allen (Ezra Miller), como o velocista Flash, e Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue, além de Arthur Curry (Jason Momoa), o híbrido humano/atlante Aquaman. Enquanto o primeiro aceita o pedido sem pestanejar, o segundo se mostra mais reticente pela falta de controle de seus poderes, ao contrário do aquático, que prefere viver em isolamento. É claro que em determinado momento todos estarão juntos, mas ainda que a história seja ágil para não enrolar o telespectador, ela apresenta bons motivos para as razões de uns e outros serem tão distintas quando o assunto é salvar o mundo como uma equipe. Inclusive há espaço para os dois líderes, Bruce e Diana, entrarem em conflito por dilemas éticos, com direito a alfinetadas e acusações nem um pouco educadas.
Ainda que os créditos sejam dedicados a Zack Snyder, responsável pelas duas aventuras anteriores estreladas pelo Homem de Aço, inclusive com a fotografia acinzentada e algumas pirotecnias, o tom leve é a marca de Whedon. Oficialmente, se diz que Snyder teve que se afastar após problemas pessoais (realmente, houve uma grande tragédia na sua família), mas é perceptível que, após o sucesso de Mulher-Maravilha (2017), a Warner viu que o público se interessa mesmo pela diversão mais escapista, ainda que emblemática. Não à toa é tudo retratado de uma forma mais simples, como Whedon gosta de ser. Uma marca do diretor/roteirista desde a época da série Buffy: A Caça Vampiros (1997-2003), indo para suas passagens no mundo das HQs como a excelente Os Surpreendentes X-Men, até chegar, é claro, nas suas incursões com os heróis da Marvel no filme de 2012 e a sequência, A Era de Ultron (2015).
O mais importante a dizer é que nenhum personagem é desperdiçado, especialmente entre os heróis. Se Diana é a alma do grupo, com sua bondade aliada ao espírito de liderança de amazona, Bruce é o cérebro que arquiteta tudo da forma mais minuciosa possível. E tanto Gal se firma cada vez mais como o norte do Universo DC nos cinemas, como Affleck está seguro na pele do atormentado, ainda que mais relaxado, homem-morcego. Barry vai além de um simples alívio cômico na pele de Ezra Miller. Sua jovialidade traz a inexperiência do ingênuo herói que também sofre pela prisão do pai, acusado de matar a mãe quando o velocista ainda era uma criança. Momoa representa a ferocidade cínica de um rei das profundezas que, o que menos quer, é pertencer à realeza. E Ray Fisher, que nos trailers ainda não mostrava a que vinha, carrega consigo o conflito emocional de um rapaz que perdeu metade do corpo e agora não sabe se é mais humano ou máquina.
O ponto negativo dentro disso tudo? O Lobo da Estepe. Não que seja um vilão ruim. Depois da bruxa rebolativa de Esquadrão Suicida (2016) ou de outros exemplares da editora rival, há piores. Na verdade, o que atrapalha mais não é o fato do ser de Apokolips ser raso. Ele é mau por natureza e ponto, sem grandes complexidades. O que incomoda de leve é o CGI. A impressão é que se poderia ter feito uma bela maquiagem em Ciarán Hinds que o ator daria conta do recado, além da clássica voz grossa de vilão de outro planeta. Sua resolução também é rápida, mas certeira. Por falar em efeitos digitais, acredito que o pior seja no famoso bigode de Henry Cavill, que estava em meio a gravações de outro filme quando precisou regravar cenas para a Liga da Justiça. Resultado: parece que o Superman usa botox em duas cenas. Mas nada que atrapalhe a experiência.
Aliás, a pergunta que não quer calar: Kal-El, o kryptoniano favorito de todo mundo, está de volta ou não? A resolução para este tema também não é complicada, surgindo como mais um belo ganho do roteiro. Agora, se ele realmente retorna, o melhor é conferir o filme sem spoilers. Há vários easter eggsescondidos para os fãs mais ardorosos das HQs, inclusive numa das duas cenas pós-créditos (que, sim, valem a pena). Porém, além de poder conferir estes heróis reunidos e realmente lutando em equipe, as cenas de ação são generosas, inclusive com as amazonas no início do longa, além de aparições históricas de outros personagens da DC. Inclusive dois em especial que sugerem a entrada de mais heróis futuramente. Falar mais seria estragar a experiência. O que importa é que Snyder e Whedon, não importa de quem seja a autoria predominante, conseguiram estabelecer a equipe num filme que funciona do início ao fim sem exigir tanto do espectador. Quando o longa acaba, a gente quer mais de todos. Individualmente ou em grupo. Resta torcer para que a bilheteria seja um grande estouro e novas continuações possam surgir. A DC agora parece que encontrou seu caminho de vez. Ainda bem.

UM BRASILEIRO EM THOR: RAGNAROK

O brasileiro fez parte da equipe de FX do filme, ou seja, ele foi um dos técnicos que criaram os raios do herói e as explosões do longa. “FX é uma coisa que exige muito raciocínio lógico, muita matemática. Saber vetor, matriz e um pouco de física. É preciso prestar atenção no mundo real, para simular ele na tela”, explica.
Marcus Duprat
Marcos nasceu em Novo Hamburgo. Desde muito cedo, se apaixonou pelo cinema assistindo aos filmes que a sua avó, dona de uma locadora, lhe emprestava. Logo começou a gravar seus primeiros curtas com a câmera da família. Quando assistiu ao Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993), de Steven Spielberg, sabia que era aquilo era especial. “Eu lembro de assistir a um programa na televisão de making of e aquilo me impressionou muito”, recorda.
Depois de me formar em cinema, fui pra Londres pra tentar trabalhar com filmes”. Essa primeira tentativa, porém, não deu certo. Na volta para o Brasil, Marcus lançou um canal no YouTube com amigos e passou a fazer curtas de baixo orçamento. “Na época, não sabia quase nada de efeitos especiais, mas botei na cabeça que iria lançar um curta por semana”, lembra. Para ele, foi isso que fez com que aprendesse a fazer efeitos especiais na base da tentativa e erro.
Cena de Thor: Ragnarok com os efeitos digitais desenvolvidos por Marcus Duprat
Marcus já estava trabalhando em Porto Alegre, realizando projetos para várias produtoras de audiovisual, quando surgiu a oportunidade de realizar um curso de efeitos especiais na Dinamarca. O curso The Animation Workshop, um dos mais conceituados da Europa, durou 4 meses de aulas intensivas. Com o fim das aulas, Marcus rumou novamente para Londres. Após uma série de entrevistas, conseguiu o emprego numa produtora, trabalhando em efeitos especiais para comerciais.
A Framestore tem dois departamentos, um de comercial e o departamento de filmes. Me chamaram pra trabalhar na parte comercial. Trabalhei por uns 3 meses lá, mas meu projeto foi atrasado, então fui escolhido pelo departamento de filmes e foi assim que cai de paraquedas no Thor: Ragnarok”, lembra. Segundo Marcus, ele só se deu conta de fato que estava trabalhando num dos maiores filmes do ano ao ver seu nome nos créditos.
Marcus Duprat
Agora, já com apartamento na capital britânica, Marcos sonha em voltar para as produções autorais. “Assim que me estabilizar mais, vou voltar a fazer curtas. Quero aplicar o que eu aprendi em Thor: Ragnarok num filme meu e ver como me saio”, diz. Quem sabe dessa vez ele alcance aquele um milhão de views!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Mãe! | Resenha de Darren Aronofski


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Ano: 2017
Título Original: Mother!
Dirigido por: Darren Aronofski
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)
Mãe! é o novo filme do diretor Darren Aronofski (Réquiem para um Sonho, Cisne Negro) que logo de cara á para afirmar que irá render boas discussões. Isso porque a obra tem uma narrativa peculiar que foge um pouco do comum do qual estamos acostumados. Na trama temos uma casal, interpretados por Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Os dois vivem em uma casa isolada, cercada apenas pela natureza. A casa está passando por reformas no qual  Lawrence está se encarregando disto, rebocando cada canto e dando sua cara  e vida a casa. Bardem é um poeta que passa por uma fase difícil, pois está há tempos sem criar nada. Não consegue superar esse bloqueio criativo. A relação do casal é aparentemente normal, até que chegam duas pessoas que batem à porta da casa deles, estes sendo Ed Harris e Michelle Pfeiffer. A partir deste acontecimento, tudo muda na vida deles. E talvez a do espectador também.
Aronofski traz aqui consigo uma assinatura muito pessoal no seu novo filme. A premissa parece bem básica (e no fim das contas, ela é mesmo) no entanto, isso não significa que ela seja vazia, aliás, muito pelo contrário. Em Mãe! temos uma narrativa instigante e por vários momentos perturbadora e incômoda. Mas este incômodo não é algo ruim. Na verdade isso é ótimo e vamos explicar o porque. O filme poderia ser classificado como um thriller psicológico mesclado com elementos envolvendo simbolismos, principalmente de cunho religioso.  Conforme a trama se desenrola, podemos observar o quanto a personagem de Lawrence se doa sem limites ao Poeta. Ela está ali ao lado dele para o que der e vier. Mas infelizmente isso não é recíproco. Com a chegada dos novos personagens, muitas questões começam a ser levantadas e por muitas vezes não são respondidas, e aos poucos as rupturas do relacionamento do casal vão ficando cada vez mais evidentes. Em meio a essas situações que cada vez mais vão se tornando tensas e com clima pesado, Aronofski vai sementando e nos deixando diversas pistas sobre o que a sua obra de fato quer falar. Ou melhor, quer gritar.
Ao espectador pode parecer um drama de relacionamentos (o que não deixa de ser), mas um olhar mais cuidadoso, pode desvendar e tirar o véu da verdadeira face d obra, que ganha outro níveis. E assim o título Mãe! ganha ainda mais força do que já tinha. Os simbolismos estão presentes quase a todo instante, eles estão espalhados por toda a parte. Há momentos também de severas críticas  a própria humanidade que causa dano a ela mesmo, assim culminando em guerras, fome e desolação. Isso podendo ser ocasionado por um fanatismo (religioso ou por alguma referência) que os deixa cegos e inconsequentes, sem perceberem o dano que estão fazendo a si mesmos.
O filme tem diversas camadas que se analisadas com cuidado e calma, podem vir a trazer diversas reflexões. No que tange a parte técnica, o filme também não deixa a desejar. A câmera sempre próxima do rosto de Lawrence, close nos seus olhos e suas feições, nos faz sentir o que ela está passando, toda a sua inquietação, desespero, amor. E esse tipo de filmagem deixa o clima do filme ainda mais denso do que já é.  Seria como se realmente estivéssemos dentro daquela casa, respirando aquele ar pesado. A trilha sonora e as cores utilizadas só ajudam para que toda essa ambientação fique ainda mais tensa. Simples momentos ganham grande importância, em outros o silêncio parece ensurdecedor.  Tudo é muito bem encaixado dentro da obra. Bardem e Lawrence estão bem e entregam aquilo que seus personagens precisam, assim como o restante do elenco.
Mãe! é um filme que de certo vai fazer algum estrago no espectador e mais uma vez, isso não é algo ruim. O impacto das cenas e das proporções que a obra toma são catastróficas e inevitavelmente vai nos fazer pensar em quesitos como relacionamentos, humanidade e por fim a vida em si. Aronofski nos entrega um longa que possivelmente será lembrado daqui a muito tempo, pois se trata de um filme pra lá de corajoso. E além de tudo, é uma obra que tem muitas coisas subjetivas, que dependendo da bagagem de cada pessoa (isso no âmbito de experiências pessoais, religião e etc) o filme pode ganhar um significado diferente. Não dá pra afirmar tudo que ele tem, porque isso vai variar mesmo de pessoa pra pessoa. Mas no fim das contas, quando um filme consegue trazer um impacto deste nível ao espectador, isso por si só já é uma grande experiência.
Com uma metáfora “simples” (usando uma casa) o filme consegue ser uma perfeita alegoria  (principalmente no que se aplica em algumas referências à bíblia) e assim aproximar o espectador para a mensagem mais importante que ele quer passar. A humanidade não cuida de sua morada mais incrível, que está sempre a nossa disposição e estamos a cada dia jogando tudo fora e nos apropriando sem pedir permissão, destruindo-a sem freios devido a tantos fatores fúteis. E em algum momento, apesar do grande amor de mãe (que é o mais puro amor) que ela tem por nós, isso será cobrado em algum momento. E não vai sair barato. Mas sempre teremos onde recomeçar desde que tenhamos essa joia rara que é o amor materno.

Tokyo Godfathers | Resenha


Ano: 2003
Título Original: Tokyo Goddofazazu
Dirigido por: Satoshi Kon
Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)
Tocante e extremamente sensível. Esta é a assinatura de Tokyo Godfathers, uma obra incrível do estúdio Madhouse (One Punch Man), dirigida por Satoshi Kon (Paprika, Perfect Blue).
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O longa conta a estória de três moradores de rua – o amargurado beberrão Gin, a jovem Miyuki e a travesti Hana – que encontram, na véspera de Natal, um bebê abandonado em meio ao lixo. Desesperados, partem em busca dos pais da criança enquanto atravessam uma jornada de autoconhecimento e partilham do sofrimento de suas próprias histórias, carregadas de ressentimento e ausência de afeto.
Embora carregue uma linguagem divertida em sua maior parte, o filme mostra com veracidade chocante o drama vivido por pessoas desabrigadas. O descaso, menosprezo, violência e marginalização sofria por eles – e que muitas vezes acaba sendo normalizado pela sociedade – é expressado em diversas cenas e situações. Duas delas, em especial – uma no transporte público e outra com fortes imagens de agressão física – chamam muita atenção e traz um sentimento de revolta que, por vezes, somos incapazes de demonstrar na vida real, sendo, deste modo, um verdadeiro “tapa na cara” do espectador.
Por outro lado, vemos também o quanto o trio valoriza as pequenas coisas da vida e a amizade que desenvolveram entre si, considerando-se sua própria família. Temos o alívio cômico de Hana, que irrita Gin constantemente, enquanto Miyuki, a mais nova do grupo, tenta colocar as coisas em ordem, o que só se torna mais difícil devido ao seu temperamento explosivo. Os dramas pessoais de cada um também são profundos e mostram alguns dos motivos que podem levar alguém a deixar sua casa, quando parece não haver mais esperança, mas vemos também o quanto uma vida pode mudar em um único dia.
Com muita sensibilidade e uma animação de alta qualidade, com traços realistas e detalhados caprichosamente, Tokyo Godfathersé um típico conto de Natal, que traz uma mensagem positiva dentro de uma narrativa gostosa de assistir e nos fazer refletir e se emocionar.

Resenha do filme Blade Runner 2049

Ano: 2017
Título Original: Blade Runner 2049
Dirigido por: Denis Villeneuve
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)
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Foram necessárias mais de duas décadas para que Blade Runner, enfim e merecidamente, fosse reconhecido pelo grande público como o clássico e influenciador filme cult que sempre foi. Logo, revisitar uma obra como esta trinta e dois anos depois era um desafio e risco eminente, que o diretor Denis Villeneuve corajosamente assumiu. E, para nossa felicidade, foi mais do que bem-sucedido ao nos trazer Blade Runner 2049.
Bebendo da fórmula que consagrou o longa de 1982, dirigido por Ridley Scott – que está também aqui como produtor executivo, um ponto importantíssimo para a qualidade do novo filme – Blade Runner 2049 apresenta uma profundidade maior sobre as questões existenciais levantadas na obra original e os avanços tecnológicos em uma premissa de futuro semi-apocalíptica, onde a humanidade já é totalmente incapaz de existir somente por meio de seus próprios recursos.
A trama se passa trinta anos após o primeiro filme. Os replicantes passaram a ser perseguidos e indesejados, as indústrias Tyrell chegaram ao fim e o grande blecaute de 2022 acabou com quase tudo em relação aos registros antigos. Após esse período, o visionário e ambicioso Niander Wallace (Jared Leto) prosperou no domínio da tecnologia, erradicando a fome no mundo. Em 2036, Wallace dá início a uma nova era de replicantes, superiores aos antigos Nexus, e totalmente obedientes aos seus criadores.
Em 2049, somos apresentados a K (Ryan Gosling), um replicante que atua como Blade Runner para a Polícia de Los Angeles, caçando replicantes antigos, da era Nexus ou mesmo anterior, que passaram a ser considerados ilegais desde a instauração da nova ordem. Durante uma de suas investigações, o agente descobre algo que pode mudar todo o conhecimento da sociedade a respeito da ideia de perpetuação da raça humana e, consequentemente, dos replicantes quanto à própria natureza de suas existências.
A ideia de futuro apresentada em Blade Runner 2049 é fascinante e soa muito realista em diversos aspectos. Se, em 1982, Blade Runner apresentou algumas ideias que hoje são realidade (ou ao menos em desenvolvimento) para nós em 2017, como a criação de órgãos em laboratório e a incubação de vida em sistemas de reprodução artificiais, 2049 nos faz imaginar que a vida humana poderá ter mesmo, no futuro, total dependência do avanço da bioengenharia para a preservação da espécie e manutenção do planeta, cujos recursos naturais parecem cada vez mais próximos de se extinguirem.
Há, por exemplo, vislumbres de como determinados locais poderão ser completamente varridos por radiação e erosão, além da distinção de cidades próximas que terão condições sociais e climáticas totalmente opostas. Enquanto Los Angeles continua como o principal polo do filme, onde observamos a tecnologia avançada com os carros voadores, as projeções holográficas e a interação de interfaces entre replicantes e inteligências artificiais, a cidade está sempre sob chuva (o que dá aquele ar noir e filosófico do primeiro filme). Vegas, por outro lado, está soterrada sob areia e virou ruínas, enquanto San Diego tornou-se um verdadeiro lixão a céu aberto.
Acima das questões tecnológicas está, mais uma vez, o aspecto filosófico-existencial que faz de Blade Runner algo único, e não poderia ser diferente Blade Runner 2049. O agente K (sob ótima atuação de Gosling) é um personagem que transmite a apatia de uma criatura que, a princípio, programada para que acreditar que serve apenas para obedecer ordens, não transmite emoções plenas e apenas vive sistematicamente. Mas, de acordo com as descobertas que faz, acaba questionando sua origem e motivações, descobrindo que há uma complexidade muito maior quando falamos de dar vida a algo que simula um ser humano. A “humanidade” de K também é expressa, em momentos de incrível beleza no filme, em sua relação com Joi (Ana de Armas), uma inteligência artificial capaz de acompanhá-lo a todo momento, mas que sofre com a incapacidade se materializar e amá-lo fisicamente.
O longa é repleto de diálogos memoráveis, como o monólogo de Wallace sobre o sonho de alcançar o Éden, e pequenos momentos em que apenas a expressão no olhar dos personagens diz mais do que qualquer coisa. Destaque para Luv (Sylvia Hoeks), serva de Wallace que representa características exatamente opostas a K, mas que, assim como o agente, compreende que é mais do que uma simples criação de bioengenharia e tenta, ao seu modo, encontrar o significado de sua vida. Harrison Ford também está de volta ao papel de Rick Deckard e sua aparição é recheada de nostalgia, além de trazer à tona a verdade que faz a união definitiva entre as tramas do primeiro e segundo filme.
É importante ressaltar que a experiência de assistir Blade Runner 2049 só é completa a quem assistiu ao seu antecessor, pois não trata-se apenas de inclusão de referências ou reaparição de personagens, mas de uma expansão de universo, cujas características-base estão enraizadas na primeira produção. Essa experiência também pode ser ampliada em alguns detalhes assistindo aos curtas lançados recentemente, que trazem algumas pílulas dos fatos mencionados no filme (confira-os aqui).
Quem espera apenas por uma obra futurista de ação ou um thriller sci-fi com ares noir pode se frustar ou se surpreender, pois Blade Runner 2049 vai muito, muito além. É um épico da ficção-científica que, ao longo de suas 2h43, nos leva por uma jornada de imersão e questionamento embalados por uma trilha sonora impecável, com um ritmo de condução distribuído perfeitamente entre ação, suspense e drama. Blade Runner 2049 é mais que uma sequência; é a obra definitiva sobre aqueles que “são mais humanos que os humanos” e que, talvez, assim como seu predecessor, só tenha o devido reconhecimento através do tempo.

Resenha do filme A Morte Te Dá Parabéns

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Ano: 2017
Título Original: Happy Death Day
Dirigido por: Christopher B. Landon
Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)
A Morte Te Dá Parabéns recebeu este estranho nome na tradução brasileira e, a princípio, pode soar apenas como um dos incontáveis filmes B de terror que são produzidos anualmente e costumam passar despercebidos do grande público. Mas, diferentemente dessa possível primeira impressão, é mais interessante do que aparenta.
Dos produtores de Corra! e Uma Noite de Crime, filmes de horror psicológico que receberam bastante destaque por inovarem em sua proposta, A Morte Te Dá Parabéns também traz uma ideia bastante interessante a ser explorada, embora possua um viés menos filosófico que os exemplos supracitados. Quem assina o roteiro é o quadrinista Scott Lobdell, conhecido especialmente por seus trabalhos para a Marvel nos anos 90 com X-MenGeração X e Tropa Alfa.
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Logo, o filme possui uma certa pitada de narrativa de quadrinhos. Na trama, Tree Gelbman (Jessica Rothe) é uma universitária arrogante e egoísta que passou a odiar seu aniversário após a morte da mãe, que celebrava a data junto com ela. Em um de seus aniversários, a jovem é assassinada cruelmente por um sujeito encapuzado com a máscara de um bebê (o mascote de uma das fraternidades da universidade) mas, surpreendentemente, acorda ilesa.
O problema é que Tree acorda no mesmo dia – seu aniversário – e todos os fatos se repetem. Ao morrer novamente, a garota percebe que está presa em uma espécie de “dia da marmota”, ou seja, todos os acontecimentos do dia vão se repetir e sua morte é inevitável. Logo, Tree acredita que a única forma de romper o looping de aniversários e mortes em que se encontra é descobrir quem é seu assassino e, consequentemente, dar fim a ele.
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Diferente de outros do gênero, o filme surpreende por possuir um tom leve e menos assustador, com um humor bem dosado e que não soa repetitivo. Tree, por exemplo, brinca com o fato de conhecer todos os acontecimentos do dia infinito e passa a interferir em algumas situações, o que rende boas piadas. No entanto, em alguns momentos, a forma que a personagem age destoa do esperado em uma situação desesperadora como a que ela se encontra.
O longa possui clara referência ao clássico Feitiço do Tempo, de Bill Murray – o que é mencionado em determinada cena, inclusive – trazendo a reflexão “o que você faria se pudesse viver o mesmo dia novamente?”, o que implica em questionamentos de mudança de caráter. Também faz honras a clássicos de terror como Pânico, com a premissa básica de “quem é o assassino?”, o que é bem trabalhado na estória, sendo suficiente para fazer a trama funcionar por completo. Embora tenha algumas atuações bem rasas, os personagens centrais funcionam bem, e as cenas de ação também são bem executadas.
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A Morte Te Dá Parabéns não soa como clássico do horror ou algo do tipo, mas, da mesma forma, também não parece ter essa pretensão. É um filme “pipoca”, descomprometido, divertido e inteligente, que bebe da fonte dos clássicos sem soar clichê, podendo render uma boa franquia cinematográfica.

RESENHA: stranger things 2


Resenha da segunda temporada de Stranger Things, da Netflix (Stranger Things 2)

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Ano: 2017
Título Original: Stranger Things 2
Criação: The Duffer Brothers |Nº de Episódios: 09
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)
Stranger Things pode ser considerada hoje o grande carro-chefe da Netflix. Fenômeno mundial, a série resgatou atores veteranos, revelou jovens estrelas e garantiu à gigante de entretenimento conquistas e indicações no Emmy 2017, um feito incrível para uma produção originada em uma plataforma de stream. E sob a responsabilidade de responder ao gigantesco hype para a segunda temporada, Stranger Things 2 faz bonito.
Atenção: vale ler este texto com esta trilha sonora original incrível e imersiva.
stranger things 2
Pense em todos os elementos que tornaram a série tão cativante. A ambientação oitentista, personagens incrivelmente carismáticos, uma mescla perfeita de terror, suspense, aventura e comédia e, claro, tudo regado a uma trilha sonora impecável. Pois bem, estes itens continuam presentes na nova temporada e, não obstante, foram todos ainda melhor explorados.
A começar pelos personagens. Se na primeira temporada tivemos a trama girou principalmente em Mike e Eleven (ou Onze, se preferir), nesta os demais coadjuvantes ganharam um bocado de espaço para brilhar e permitir que seus intérpretes se sobressaiam, justificando ainda mais o prêmio de Melhor Elenco recebido pela série no Emmy deste ano.
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O foco da temporada é em Will, mais especialmente nas consequências que seu retorno do Mundo Invertido implicaram. O garoto, que pouco apareceu na primeira temporada, mostra-se um personagem bem interessante e intenso, reforçando a qualidade do jovem Noah Schnapp como um ator muito promissor. Dustin e Lucas também receberam mais profundidade – este último, especialmente, soa muito mais carismático nesta temporada. E até mesmo Steve merece uma menção honrosa, demonstrando amadurecimento (o que pode deixar confuso os espectadores quanto a quem torcer para que fique com Nancy Wheeler).
Como boa série que se preze, Stranger Things 2 também traz caras novas (algumas nem tão novas) bastante interessantes. A garota Max, interpretada por Sadie Sink, é destaque no elenco mirim, enquanto Sean Astin (nosso eterno Sam, de O Senhor dos Anéis) ressurge das cinzas hollywoodianas como o bonachão Bob, personagem que ganha relevância durante a temporada. Dacre Montgomery (Jason, de Power Rangers) também reforça o já estrelado elenco.
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Millie Bobby Brown, mais uma vez, dispensa comentários como Eleven. Não é exagero nenhum dizer que estamos diante de uma nova estrela como Natalie Portman, que também surgiu aos holofotes com mais ou menos a mesma idade – com um talento e carisma equivalentes. A personagem, inclusive, possui um episódio quase todo dedicado a seu background – que pode soar como fan service, mas, ao contrário de muitos fillers (episódios que não dão continuidade direta a uma trama), possui total coerência e importância no enredo.
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Entretanto – ao menos na humilde opinião de quem vos escreve – o grande destaque desta segunda temporada é Jim Hopper. David Harbour, indicado ao Emmy como melhor ator coadjuvante pelo personagem em Stranger Things, mostra que fez da nomeação algo mais que merecido e provando que nunca é tarde para se ganhar um lugar de destaque em Hollywood. Harbour, inclusive, já está escalado para viver Hellboy no remake cinematográfico que deve ser lançado no próximo ano.
stranger things 2
A narrativa é mais bem dosada em questão de ritmo. Se na primeira temporada temos primeiros episódios menos agitados e um crescimento na segunda metade, desta vez há uma cadência maior entre cada um – mas, claramente, temos dois episódios finais de tirar o fôlego, recheados de emoção e um clima de terror impressionante, tanto em termos de produção visual como de roteiro.
Como já deve ter notado lendo até aqui, é fácil discorrer sobre todas as virtudes de Stranger Things 2. E se há algum defeito, bom… Este defeito é nos fazer esperar uma eternidade pela próxima temporada. E então, está esperando o quê pra assistir?
Precisa de mais argumentos pra assistir? Escuta esta trilha cheia de hits, bicho!
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