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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Resenha Crítica | Paulistas + Quando Os Dias Eram Eternos (2018/2016)

Paulistas, de Daniel Nolasco
Quando Os Dias Eram Eternos, de Marcus Vinicius Vasconcelos
Realizador de curtas como “Os Sobreviventes”, “A Felicidade Chega aos 40” e “Netuno”, Daniel Nolasco debuta na direção de documentário em longa-metragem partindo de um registro particular, acompanhando três irmãos (que são seus primos de segundo grau) durante um breve período em férias pela região dos Paulistas para reencontrar os seus pais. Mas há um comentário que se tece a partir do fato de todos os três viverem na urbana Catalão.
Trata-se do fim que se aproxima de um ambiente rural, sustando por uma velha geração que se apequena e abandonada pelas mais jovens que vislumbram um futuro além do trabalho braçal e da dificuldade de acesso aos bens da cidade grande. Porém, outros fenômenos que contribuem para um fim que inevitavelmente se aproxima são os avanços da monocultura agrícola e da exploração dos recursos hídricos.
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A questão em “Paulistas” é que Nolasco nunca estabelece um vínculo do espectador com Samuel, Vinícius e Rafael. Tanto que afora a imagem emblemática na qual cada um é introduzido, portanto rifles em mãos com uma bala disparada contra um velho televisor, nada se comunica aqui, revelando uma tendência cada vez mais habitual no documentário brasileiro de acreditar que a mera observação nada intrusiva basta para se construir um filme.
Bem melhor é o resultado obtido por Marcus Vinicius Vasconcelos em seu “Quando Os Dias Eram Eternos”. Neste curta experimental produzido em rotoscópio tem em comum com “Paulistas” – a Sessão Vitrine Petrobrás o exibirá antes do documentário – o não dito e esse encontro com gerações, com o diferencial de que aqui é obtido com mais sucesso aquela sensação de que se está falando com afeto sobre conexões familiares e a dor do fim.
Data:
Filme:
Paulistas + Quando Os Dias Eram Eternos
Avaliação:
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

[Resenha/Crítica]: Blade Runner 2049

 



Os personagens originalmente criados pelo escritor americano Philip K. Dick não sonham somente com ovelhas elétricas, como também devaneiam sobre unicórnios. Adaptado no ano de 1982, pelo britânico Ridley Scott (Alien: Covenant), o romance sci-fi e de fundamentações filosóficas percorreu um longo calvário (cujos fatores são tantos que opto por não dar espaço aqui) para chegar às telas. Reconhecido de forma tardia, porém desempenhando papel seminal, tanto aos seus gêneros explorados como à própria arte, Blade Runner, também de forma tardia, recebe sua sequência. Mesmo que bem polido e finalizado (após sete versões, concebidas por estúdio e diretor), as inquietações e gama de interpretações e novas possibilidades eram (e ainda são) tantas que uma sequência poderia ser reconfortante a novas explorações e público.
Em Blade Runner 2049, ambientado trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, a humanidade recupera, em partes, a possibilidade de sobrevivência por meio do ecossistema já escasso do sucumbido planeta Terra. As novas explorações interplanetárias – em grande parte graças ao sucessor da Tyrell Corp., Niander Wallace (Jared Leto) – permitem que a parte rica da população viva o nunca mostrado luxo extraterrestre, enquanto a anos-luz a humanidade e os recentemente integrados replicantes agonizam em meio à sordidez moral e substancial do planeta. Idealizados por Wallace como mão de obra barata, os androides coabitam nas mais diversas esferas e postos da sociedade terrestre, sendo um deles o blade runner K (Ryan Gosling), competente serviçal da Polícia e frequentemente subjugado pelos humanos (numa interessante transformação de medo ao asco desde o primeiro filme, diga-se).
A forma tomada por suas temáticas é canalizada na maior parte do tempo pela figura de K. O androide (numa revelação tão espontânea e sem tempo para rodeios, logo ao início de projeção) e também caçador de seus semelhantes, ruma a descobertas que concernem tanto a si como ao futuro da engenharia robótica – e no que tange, de forma crucial, a própria existência da humanidade. Em oposição às suas escolhas, mas em busca análoga ao segredo da trama, Wallace e Luv (Sylvia Hoeks) desempenham as pré-determinadas funções antagônicas ocupadas em tantos outros exemplares; vilão com vasto conhecimento científico e pretensões megalomaníacas, acompanhado de sua capanga (aqui, replicante) perita em artes-marciais.
O ideário proposto por Hampton Fancher e David Webb Peoples no longa de 1982, por sua vez adaptado do romance Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, do supracitado Philip K. Dick, aqui, encontra uma visão expansionista, de forma natural. Os temas eternos e de complexidade metafísica discutidos originalmente ganham frescor nas mãos de (novamente) Hampton Fancher e Michael Green, seu novo colaborador, e pela direção do canadense Denis Villeneuve (A Chegada). O período compreendido desde o lançamento do longa original até esta sequência, é grande e composta de diversas incursões no gênero e com propostas similares, ampliando a temática e readequando seus conceitos. A busca pela longevidade cede espaço à assimilação da própria realidade; a desconstrução do estado de ser é flexionada pela descoberta e ânsia de existir, integrar. E da mesma forma como fora tratado anteriormente, Blade Runner 2049 sintetiza tais conceitos e discussões e os transpõem por meio das ações e embates de seus personagens – humanos e, principalmente, replicantes.
A trama detetivesca, apropriada nos acontecimentos de 2019, é reincorporada por ações que remetem a eventos corriqueiros no subgênero da espionagem. Se Rick Deckard (Harrison Ford) dava forma a um Sam Spade ou Philip Marlowe futurista, pelas atividades desempenhadas em âmbito pessoal e profissional, K encarna, de forma premeditada pelo dado contexto, um agente mais dinâmico e propenso a lidar racionalmente com os eventos que o acometem – mas sem nunca esvaziar e tirar o peso de seus dilemas enfrentados, quase um Jason Bourne. Talvez, a maior representação disto seja na forma encontrada por Denis Villeneuve de embalar o filme em seu ritmo diligente, tomado por sequências de ação das mais diversas formas. O combate físico, aéreo e armado, com pouco espaço no filme de 1982, ganha um bom uso em extensas cenas durante pontos precisos da narrativa, intermediado pelos saltos ocasionais da trama.
A escalada de conceitos e o desenrolar de seus nós dramáticos ocorre de forma orgânica e comedida durante seus dois primeiros atos, acompanhando a tônica melancólica e pessimista do filme de Scott. Os momentos dados para introspecção do personagem de Gosling, contemplando o belo arco dramático com sua inteligência artificial companheira, Joi (Ana de Armas), em formato de holograma móvel/portátil (que em muito remete Her), ao justo embate sobre suas ações ante determinadas circunstâncias, retoma a reflexão moral imposta sobre os personagens do longa original. K assume a forma de presa e predador; é um misto entre as fatalidades encontradas por Roy Batty (Rutger Hauer) e o próprio Deckard, desenvoltos pela expectativa do futuro e a percepção do efêmero, respectivamente.
Sobre tais caminhos, a retidão de Gosling como o replicante/blade runner é composta em sua maior parte pela apatia (interessantemente, uma característica comum entre ator e personagem, se observada sua função desempenhada), mas bem alocada dado os eventos narrativos. A inicial inexpressão evolui proporcionalmente à trama, preenchida com circunstanciais e calculados arroubos. Juntamente à tal progressão, a jornada de K acaba por desvencilhar-se do drama convencional de autodescoberta e toma forma heroica, cintilando fagulhas de uma inevitável rebelião.
O protagonista do primeiro Blade Runner, e agora, coadjuvante em partes, muito há de se especular. O personagem de Rick Deckard, melhor elemento ligante entre os períodos da saga, oferece um complemento interessante ao novo protagonista, uma vez que as jornadas de cada um atingem pontos de intersecção em suas coincidências e diferenças. A posição neutra de Villeneuve também infere sobre a natureza de Deckard – pauta para debates desde o lançamento em 1982 e praticamente findada desde a versão final de Scott, de 2007. Somado também ao próprio vácuo de trinta anos entre os dois longas, o futuro incerto do personagem pode render debates tão interessantes quanto estes.
Partindo de suas reviravoltas e descobertas, a progressão narrativa estagna em seu terceiro ato. Os conceitos desenvolvidos até então – e a própria frieza do olhar impessoal a seus acontecimentos – são substituídos por guinadas dramáticas e sentimentais (com direito ao clássico tema Tears in Rain, do compositor do longa original Vangelis e apropriado pela nova dupla da obra). Ao passo que delineia a nova postura assumida por K e demais personagens – além de criar ganchos narrativos para possíveis continuações –, a forma posta ao texto torna-se incongruente aos pedaços narrativos anteriores. O fio de esperança apresentado desde o início da trama é quase asfixiado por tamanha exposição (principalmente em diálogos e subterfúgios danosos, como flashbacks e voice-over), mas recuperado pelo despertar de K e o final de Deckard.
Uma pena esta precoce interrupção estancar também a possibilidade do desenvolvimento do vilão principal, Wallace. Assumindo trejeitos quase cartunescos (e, obviamente, batidos), com melodia na voz e bruteza em suas ações, só nos é ofertado parte das pretensões do personagem, sem qualquer background dramático; opaco, pode-se dizer. O mesmo ocorre em diferente grau com Luv: em suas primeiras apresentações, há indícios de uma relação complexa entre criatura e seu criador, expressos por nuances em sua composição facial. Entretanto, novamente, a transposição ao terceiro ato mina tais capacidades e ainda entrega uma série de linhas de diálogo enfadonha.
Semelhante ao primeiro filme, Blade Runner 2049 intermedia sua sucessão de eventos pela ótica de seus personagens polarizados. Atrelados à mesma busca, a narrativa permite a observação de diferentes abordagens e procedimentos quanto à investigação por parte de K/Joshi (Robin Wright, tenente da corporação) e Luv/Wallace – além dos divergentes conceitos introspectivos de cada. Mesmo com a probabilidade de gerar um caos ao que fora estabelecido pelos humanos, o filme tece desde o início da procura um fiapo de esperança aos envolvidos, com seu tom ora flertando com um otimismo não presente no filme de 1982, sendo assim, compreensível a tentativa de transição entre seus atos (e até mesmo refletida pela fotografia asséptica do projeto).
O esmero técnico da produção perpassa os constituintes do clima autêntico e opressivo de Blade Runner. Na bela contraposição entre o sintético e natural, a Los Angeles de 2049 ainda é tomada por holofotes, outdoors digitais, placas e letreiros em néon, sem uma única aparição de feixes de luz natural e ainda abafados pelo tórrido vapor e a incessante chuva – alternando com neve acinzentada. A união das equipes de direção de arte e design de produção recriam o mesmo clima captado há mais de trinta anos – e, hoje, registrado pelo cinematógrafo Roger Deakins, possivelmente o maior expoente do ramo. Utilizando as mesmas cores industriais do primeiro filme, a alternância entre supersaturação do azul e as inexpressivas imagens filtradas num cinza apático, estilizando os novos cenários explorados (e demarcados por sábios elementos próprios); tal construção caracteriza também seus personagens de forma eficaz em certas circunstâncias. A intensidade da luz emanada no rosto de K, a praticamente fusão em tons lavados de Deckard em sua corroída habitação, a harmonia de cores tomada pela neblina que cerca a fazenda de Sapper Morton (Dave Bautista), todos estes são joguetes técnicos que enriquecem a obra e também experiência do espectador, contribuindo ao desenrolar e manifestação de sua narrativa e personagens.
A trilha sonora de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch evoca, não somente pela própria forma melódica e sintética, mas também temática e pontual, os acordes e temas conduzidos por Vangelis no primeiro filme. Acompanhando a trama em seu desenvolvimento gradual, a utilização da sonoridade da trilha mescla-se ao próprio design e edição de som do filme, em seus longos e dissonantes acordes (característica primal de Zimmer), transformando-se praticamente num elemento diegético e realçando o furor exposto na megalópole futurista.
Blade Runner 2049 e seus personagens percorrem os mesmos caminhos traçados no filme oitentista – no entanto, em eventualidades e direção opostas. Expandindo a fértil mitologia do filme original – acarretando também no aprofundamento e desenvolvimento de seus dilemas morais e metafísicos –, o novo longa faz jus ao primeiro filme em suas diversas camadas exploradas, desde seus momentos performáticos até divagações existenciais e tomada de consciência. Seus pecadilhos (reviravoltas pouco impactantes e desnecessárias, trechos de diálogos deslocados, arcos iniciados e não concluídos, por conta da provável sequência) não comprometem as amarras do filme, e nem a experiência do espectador, conciliando de forma eficaz os fãs saudosistas ao público fidelizado ao gênero – o que os excessivos 163 minutos podem provocar um certo desconforto.  Equilibrando-se de forma ideal entre suas ocasionais homenagens e desenvolvimentos temáticos, é um espécime exemplar de bom aproveitamento como blockbuster de gênero e como exercício de reflexão em suas eventuais divagações.

Nota do CD:
[Rating:4/5]

Sinopse do filme: 
Trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, a humanidade está novamente ameaçada, e desta vez o perigo pode ser ainda maior. Isso porque o novato oficial K (Ryan Gosling), desenterrou um terrível segredo com potencial de mergulhar a sociedade ao completo caos. A descoberta acaba levando-o a uma busca frenética por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido há 30 anos.
Trailer do Filme:
Ficha Técnica:
Elenco: Ana de Armas, Carla Juri, Dave Bautista, David Dastmalchian, Harrison Ford, Hiam Abbass, Jared Leto, Lennie James, Mackenzie Davis, Robin Wright, Ryan Gosling, Sylvia Hoeks, Wood Harris
Direção: Dennis Villeneuve
Roteiro: Hampton Fancher e Michael Green
Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Bud Yorkin, Ridley Scott
Fotografia: Roger Deakins
Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer
Estúdio: Warner Bros.
Montador: Joe Walker
Distriubuidor: Sony Pictures

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Bright – Resenha do filme, uma produção Netflix

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Ano: 2017
Título Original: Bright
Dirigido por: David Ayer
Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)
Bright chegou ao Brasil com uma forte divulgação, encabeçada por geniais vídeos divulgados pela Netflix (que, aliás, tem investido forte e acertadamente em marketing junto ao público brasileiro) e pela presença de Will SmithJoel Edgerton e David Ayer na Comic Con Experience, onde o filme foi exibido em pré-estreia.
Salva toda possível expectativa sobre Bright, trata-se de um típico filme de ação policial com uma boa mescla de fantasia, uma mistura interessante com a sempre garantida boa atuação de Will Smith e que também resgata o diretor David Ayer.
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Em Bright, existe uma sociedade onde convivem criaturas das mais diversas espécies, até mesmo fadas. Os Orcs são marginalizados, vivendo nos guetos; os elfos fazem parte da alta elite e menosprezam humanos e Orcs; e bem, humanos, neste caso, continuam sendo humanos, e além das diferenças entre si, também menosprezam os Orcs.
Neste contexto, Daryl Ward (Smith) é um policial que tem como parceiro o Orc Nick Jakoby (Edgerton), único de sua raça a integrar as forças policiais. Jakoby vive sob a desconfiança de seu parceiro, dos outros policiais e é também menosprezado pelos semelhantes de sua raça. Jakoby orgulha-se de ser um policial e busca o reconhecimento de Ward, a quem vê como amigo e inspiração.
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Os Orcs, por sua vez, exaltam um passado onde a magia era venerada, quando derrotaram o Senhor das Trevas – um poderoso elfo que visava eliminar as outras raças – e, por isso, não veem a aliança de sua raça a outras com bons olhos. No tempo atual, a magia é visto como algo não mais existente, e tudo o que cerca estas histórias é vista pela maioria apenas como lendas.
A trama apresenta seu real objetivo quando a dupla se depara com a elfa Tikka (Lucy Fry), detentora de uma varinha mágica, um artefato poderosíssimo que só pode ser manejado por um Bright, seres únicos e raros capazes de controlar magia. Ward e Jakoby, de repente, se veem envoltos em uma guerra entre gangues, elfos e polícia em torno do objeto mágico que pode mudar a realidade como eles conhecem.
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Embora apresente uma série de pontas relacionadas ao seu pano de fundo mágico, como a própria origem dos Brights e mesmo o lado dos elfos, Bright não os explora com tanta clareza, deixando às vezes a impressão de que tais elementos não possuem muita relevância (e alguns não possuem mesmo). Os vilões também apresentam pouca profundidade e não chegam a cativar.
Por outro lado, o desenvolvimento dos protagonistas é ótimo, ficando evidente a boa dinâmica entre Smith e Edgerton, que parecem bastante à vontade em seus papéis – em alguns momentos, parece que estamos vendo uma nova versão de Bad Boys, com uma roupagem moderna e fantástica que acrescenta bastante. E, do mesmo modo, o longa rende cenas de ação de tirar o fôlego.
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A mescla de elementos de fantasia com ação policial e um contexto moderno é bem interessante e mostra a competência de Ayer e da Netflix em criar estórias originais, com uma trilha sonora excelente e que conduz os momentos chaves do filme em ótimo tom (inclusive, recomendamos ouvir, está no Spotify).
Outro ponto positivo e, talvez, o mais importante de Bright: por baixo do teor fantasia-contemporânea sob o qual a estória é desenvolvida, há uma clara mensagem sobre racismo, xenofobia e segregação, evidenciada pelas raças apresentadas na trama. Os comportamentos notados especialmente em relação ao policial Jakoby evidenciam o preconceito eminente e a necessidade de falar sobre o tema, atingindo uma ferida que nunca foi tão atual quanto agora.
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Desconsiderando qualquer pretensão de ser um épico do momento ou de criar um novo gênero de filmes, Bright é um ótimo longa, divertido e entusiasmante. Um clássico filme de ação pipoca, com uma abordagem nova, bons diálogos e cenas de impacto.

O Rei do Show de Michael Gracey

Divertido, empolgante e emocionante, O Rei do Show é o filme que este final de ano precisava.”
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Ano: 2017
Título Original: The Greatest Showman
Dirigido por: Michael Gracey
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)
Como todos sabemos, o final de ano desperta em nós algo diferente. O lado emotivo aflora, as reflexões são inevitáveis, a gratidão, o balanço, as metas. Um fechamento de ciclo obrigatório, ainda que simbólico, que atinge até a mais cética das pessoas. E é justamente essa aura mística que circunda o filme dirigido pelo novato Michael Gracey, e estrelado por Hugh Jackman, Zac Efron e Zendaya.
Longe de ser o maior espetáculo já visto, como o próprio nome da canção inicial sugere, mas extremamente competente, o filme peca nos clichês e na romantização de um personagem historicamente controverso (Phineas Taylor Barnum), mas é extremamente eficaz ao realizar o que o cinema almeja: divertir o público.
Indo direto ao ponto, e começando por onde se deve começar em um filme musical, é importante mencionar que as canções desse filme são empolgantes e no ponto certo por um motivo: são assinadas pela dupla Pasek & Paul, de La La Land. Desde de The Greatest Show, A Million Dreams e This Is Me (esta última um lindo ode aos excluídos e marginalizados pela sociedade), as letras e melodias são imersivas e fundamentais para cada momento do filme em que se encaixam, e para arrebatarem os telespectadores de um jeito único.
Os atores, por seu turno, contribuem e muito para que a emoção das canções seja refletida na tela. Não é de hoje que Hugh Jackman mostra que é talentoso em cada sentido da palavra como ator. O australiano dança, se expressa sem exageros e canta como poucos. É notório como filmes musicais lhe caem bem (vide Os Miseráveis), e como ele se sente à vontade em gêneros mais teatrais. Zac Efron e Zendaya mostram que viraram atores de respeito, e que cresceram para além do título teen e do selo Disney. Rebecca Ferguson, no papel da linda cantora Jenny Lind, também dá um show à parte ao trazer conturbação emocional para a trama.
Seria injusto falar que Michelle Williams representa o ponto fraco do longa, pois também está muito bem, mas foi quem menos se destacou, ofuscada pelos supracitados atores e pela fantástica Keala Seetle, a icônica mulher barbada.
Por mais que muitos telespectadores façam o papel de James Bennet, amargo crítico do jornal New York Herald e ferrenho perseguidor do protagonista Barnum, o objetivo desse filme, amplamente exposto pelo próprio Barnum em um de seus diálogos com Bennet, é divertir. Bennet dizia que o espetáculo bizarro de Barnum não era arte, e sim um circo. Da mesma maneira, muitos dirão que O Rei do Show é um filme pastelão, água com açúcar e que não inova no que já se viu em outros filmes do gênero. E tudo bem, pois cada um tem sua opinião. Mas quem disse que esses são os requisitos para que um filme seja bom?
Assim como as pessoas que foram ao espetáculo circense de Barnum e o adoraram e saíram sorrindo e satisfeitas, quem for ao cinema sem grandes pretensões megalomaníacas e amargura irá aproveitar o que este filme tem de melhor a nos ensinar: aproveitar o presente, desfrutar o momento, e nenhum minuto a mais. Nas palavras da canção que serve de prelúdio ao filme:
“Don’t fight it, it’s coming for you, running at ya. Just surrender ‘cause you feel the feeling taking over.

Rebelde Com Causa – Resenha

Ano: 2009
Título Original: Youth In Revolt
Dirigido por: Miguel Arteta
Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)

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Michael Cera é aquele tipo de ator que é engraçado por si só, e embora a maior parte de seus papéis sejam basicamente réplicas dele próprio – o estilo jovem azarado -, os filmes em que está presente costumam render boas risadas. Não é diferente com Rebelde Com Causa, do diretor Miguel Arteta (Por Um Sentido Na Vida).
Além de Cera, o elenco conta com outros nomes de peso como Ray LiottaJustin Long e Steve Buscemi, que atualmente andam um pouco sumidos de Hollywood e que neste longa interpretam ótimos personagens coadjuvantes.
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Em Rebelde Com Causa, Cera é Nick Twisp, um adolescente de 16 anos virgem, aspirante a escritor e que sente-se um fracasso completo. Mora com a mãe (Jean Smart) e o namorado dela, Jerry (Zach Galifianakis), um mentiroso compulsivo. Seu pai, George (Buscemi), vive com uma namorada muitos anos mais jovem e que claramente se aproveita dele.
A vida monótona e desesperançosa de Nick muda quando, por conta de uma dívida de Jerry, sua família é obrigada a ir a um acampamento em outra cidade, onde conhece Sheeni (Portia Doubleday), uma garota fantástica que o deixa completamente pirado. Para conquistá-la e poder ficar junto dela, Nick decide criar um alter ego que o fará se tornar um rebelde, trazendo consequências que ele jamais poderia imaginar.
Rebelde Com Causa não traz nenhum tipo de inovação em sua premissa e muito menos se aprofunda em sua camada dramática, sendo o tipo de filme que termina com uma moral básica. Entretanto, traz boas risadas e diverte como um bom longa de comédia adolescente que é.
Em um filme com muitos personagens, destacam-se as atuações hilárias de Fred Willard como o excêntrico Sr. Ferguson, um veterano que acredita ter a missão de socorrer todos os refugiados da América, e Ray Liotta, que interpreta o policial canastrão Lance Wescott. O elenco ainda conta com participações de Rooney Mara e do ator e cantor Jonathan B. Wright.
Se está a fim de um filme leve, engraçado e sem muitas pretensões, Rebelde Com Causa é uma boa pedida para as horas vagas.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

LIVRO: O Clube do Filme – Resenha

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A resenha que se seguirá é sobre uma obra chamada “O Clube do Filme”, livro do escritor e jornalista canadense David Gilmour.
Recordo-me que quando me indicaram o livro, logo ao visualizar seu título, imaginei que seria uma extraordinária oportunidade para adicionar alguns a minha lista de “filmes para assistir antes de morrer”. Acho que a grande jogada dessa obra é causar uma grande expectativa e aos poucos surpreender o leitor.
Bom, engana-se fortemente você que acredita que o livro em questão se trata exclusivamente sobre análises de longa-metragens, isto porque, em que pese o autor mencione infinitas obras incríveis, o foco do livro se torna muito mais emocionante.
O Clube do filme tem seu inicio quando David percebe o quanto seu filho de 15 anos odeia a escola, o que repercute diretamente em suas notas. Como se algo se esclarecesse em sua mente, compreende que independentemente do auxilio em todos os deveres de casa, Jesse não está efetivamente aprendendo pelo ensino tradicional.
Nesse momento o autor cria um vínculo com o leitor, porque afinal de contas, quem nunca passou por uma situação como essas? Quantas vezes você praguejou o fato de ser um adolescente com milhões de coisas legais para fazer, todas estragadas pela obrigação de ter que acordar todos os dias ás 06 horas da manhã para ir à escola?
Ao mesmo tempo que nos recordamos de quando éramos jovens e passamos por situação idêntica, necessário se faz colocar-se no lugar de um pai. O que você faria ao captar que seu filho está infeliz ?
David teve a arriscada ideia de sugerir ao filho que abandonasse a escola, impondo algumas condições para tanto: O rapaz precisaria assistir a três filmes com o pai toda a semana, pois seria a sua única forma de educação, e não poderia de forma alguma se envolver com drogas.

Ambos passam a debater sobre clássicos do cinema, intenções de diretores, circunstâncias de filmagens e histórias por trás dos filmes, que por sua vez, são sempre escolhidos de acordo com as angústias pessoais de Jesse. É nesse momento que o relato emocionante de David demonstra para que a obra veio afinal… para mostrar a relação de confiança, amizade e medo característica de pai e filho.
Paralelamente, o leitor tem a oportunidade de conhecer melhor clássicos de todos os gêneros, o que origina a motivação (digo por mim mesma) de buscar as obras para assistir, para verificar a intensidade das cenas mencionadas no livro e analisar a perspectiva que David possui sobre o longa.
No decorrer do Clube do Filme, o autor descreve frustrações quanto a amores e amizades de Jesse, assim como a repercussão da sociedade no que tange aos julgamentos a maneira como David educa seu filho.  A forma como o pai lida com Jesse transparece uma sinceridade inigualável, confirmada pela homenagem do autor no término do livro.
Ao longo da obra o autor deixa claro o que cada um dos 113 filmes citados na filmografia auxiliaram no estímulo pedagógico de Jesse. Ao término do livro, o leitor percebe o quanto a medida foi eficaz para a formação do menino, que por sua vez, cria consciência da importância do aprendizado e essencialmente, valoriza a luta para correr atrás de seus objetivos.
O “Clube do filme” é um ótimo ensejo para você que quer conhecer filmes clássicos, e de quebra, levar uma lição de vida inspirada em um linda relação de pai e filho!

CRÍTICA DO FILME : HEAVEN IS FOR REAL de Randall Wallace

Ano: 2014
Título Original: HEAVEN IS FOR REAL
Dirigido por: Randall Wallace
Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)
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Baseado em uma história real, em O Céu é de Verdade, Todd Burpo é pastor de uma igreja e tem uma bela família, muito embora esteja passando por dificuldades financeiras (assim como diversos de seus conhecidos). Certo dia, seu filho Colton, o caçula, acaba indo parar no hospital por causa de uma apendicite, quase morrendo. Após a operação, Colton diz que esteve no céu e aos poucos vai soltando informações que contrastam com a religião cristão, o que começa a causar desconforto em toda a cidade, sua igreja e principalmente em seu pai. E agora Todd terá que decidir: seu filho realmente viu o céu ou isso não passa da imaginação dele? Esta decisão norteará inclusive sua própria fé e a de todos ao redor.
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O filme é bom, mas somente começa a prender a atenção depois de passados quase trinta minutos (naturalmente, na criativa de expor toda a atmosfera “pré-revelação”). Um ponto positivo do longa é que ele é capaz de fazer qualquer cristão pensar, assim como Colton faz com todos os adultos do filme.
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Dá a impressão, algumas vezes, que o filme é um pouco mais longo do que deveria ser, ou que ele se foca em fatores que não deveria (algumas cenas poderiam ficar fora do roteiro que não fariam falta, principalmente aquela que não fazem relação com a revelação de Colton). Talvez se o filme mostrasse um pouco mais do conflito que a revelação trouxe consigo, perante a igreja, teria alcançado um pouco mais perfeição.
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Acima de tudo, O Céu é de Verdade é um longa que te faz refletir.

RESENHA CRÍTICA : HANGMAN DE ADAM MASON

Ano: 2015
Título Original: HANGMAN
Dirigido por: Adam Mason
Avaliação: ★★☆☆☆ (Ruim)
Na trama de Hagman, um psicopata é especialista em se infiltrar na casa de família, quando elas saem para viajar, se alojando na mesma quando eles retornam. Aaron e Beth possuem uma linda família (cheia de problemas normais) e quando voltam de férias, percebem que sua residência foi invadida. Mal sabem eles que são as novas vítimas desse psicopata, que os observará a cada segundo, desejando matá-los.
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O filme é muito ruim. Sem um roteiro claro, sem se aproveitar de muitos fatores que deixariam o longa incrivelmente melhor, Hangman erra na interpretação de seus atores, nas sequências, sem explicar as razões pelas quais o psicopata faz o que faz, sem explorar sua psique e muito menos sem trazer cenas mais intrigantes.

Muito embora o começo possa parecer bom, a fórmula do filme é repetida inúmeras vezes, até enjoar: o psicopata vive aparecendo na casa, caminhando pelos cômodos quando a família está fora ou dormindo, sem motivo ou razão clara. Não dá para saber se ele faz isso por querer ter uma família, por algum trauma do passado, se ele está interessado na Beth, se está interessado na filha, se quer ser o pai da família, ou por qualquer outro motivo.

Hangman copia, claramente, as noções de câmera e estratégia de Atividade Paranormal, mas infelizmente, não consegue nem chegar aos pés da simplicidade e da inteligência que fizeram de “AI” o sucesso que foi.

Caso saia de viagem, tranque as portas e janelas, para que ninguém possa assistir a este filme.